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Disciplina de Desenho

Março 3, 2010

Uma breve história sobre os cartazes

“Cartazes são mensageiros. Cartazes são expressão de cultura. Cartazes deixam marcas. Visíveis e inconfundíveis, como parte de um processo de comunicação, dependem do local e data de publicação. Bons cartazes falam uma linguagem internacional”.   

–  Manfred Triesch           

 

Relatam os estudiosos que os primeiros cartazes foram desenvolvidos por meio de xilogravuras, obtidas através da impressão de matrizes de madeira realizadas por povos orientais, principalmente japoneses e chineses e já no século X. Mas foi somente no final do século passado que a arte de reunir textos e ilustrações numa folha de papel alcançou maior projecção, ao ser difundida por mercadores europeus e atingindo um alto grau de sofisticação através dos artistas plásticos da época.

A integração entre produção artística e industrial é exemplificada na carreira de Jules Cherét. Filho de um compositor tipográfico e aprendiz de um litógrafo em Paris, foi para Londres estudar as técnicas mais recentes. De volta a Paris em 1860, Cherét desenvolveu gradualmente um sistema de 3 a 4 cores de impressão. O estilo de Cherét atingiu o seu auge por volta de 1880 e foi adoptado e desenvolvido por outros artistas como Pierre Bonnarde, o famoso Henri de Toulouse-Lautrec. Consagrado por retratar cenas da vida nocturna e do submundo parisiense, Toulouse-Lautrec assinou centenas de cartazes de divulgação de espetáculos de cabaret, então reproduzidos através de pedras litográficas. Foi pelas mãos de Toulouse-Lautrec que a arte publicitária se tornou famosa, através de um certo toque impressionista. Apesar da fotografia já existir há algumas décadas, as suas imagens não podiam ser reproduzidas nem em grandes formatos, nem em grande escala. Os artistas pintavam então a composição dos cartazes, que era transferida à mão para a superfície das pedras para impressão litográfica – uma para cada cor.

Na viragem do século, o movimento mais importante na composição de cartazes foi a Art Noveau. O seu expoente mais famoso e extravagante foi o artista checo Alphonse Mucha. Os seus cartazes têm belas mulheres de longos cabelos ondulados, emolduradas por uma decoração floral e traços orgânicos, mas também os cartazes artísticos deste período demonstraram uma liberdade estética e ousadia criativa que acompanharam o primeiro confronto com as inovações tecnológicas na produção gráfica.

Quando os artistas, ao contrário de adicionarem texto com tipos de impressão, desenharam eles próprios o lettering,  sendo simultaneamente responsáveis por cada elemento numa composição cuja intencionalidade era a reprodução através da máquina, estavam a pôr em prática o que posteriormente foi reconhecido como grafic design.

O período compreendido entre as décadas dos anos 20 e 30 foi bastante rico, tanto em movimentos no design de cartazes como na pintura, donde se destacam a  Bauhaus, De Stijl, o futurismo, o cubismo, entre outros. No entanto, a maioria dos cartazes produzidos durante estas duas décadas visava promover produtos comerciais ou eventos culturais. Assim, desenvolvendo concepções cubistas e construtivistas, os cartazes marcantes de A. M. Cassandre dominaram a publicidade francesa no período entre guerras; interessava-se especialmente pelas letras, que considerava um elemento indispensável e muitas vezes negligenciado no design de cartazes. Cassandre defendia que a primeira função do cartaz era veicular a mensagem e depois seguiam-se as outras, tais como a função plástica, de menor importância.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os cartazes que anunciavam produtos deram lugar àqueles que ajudavam a promover os esforços de guerra, por meio de apelos de recrutamento ou veiculação de informações. Os governos que encomendavam estes cartazes queriam urgentemente mensagens directas e eficazes, assumindo o risco de contratar e dar liberdade a jovens designers modernistas. Os resultados foram muitas vezes controversos, mas vêm deste período alguns dos mais criativos cartazes. Neste sentido, também foram abertas as portas para anúncios comerciais mais criativos, logo após a guerra ter terminado. Raymond Savignac foi o mestre do visual gag. Os seus numerosos cartazes, produzidos para clientes em todo o mundo, caracterizaram-se por um design simples, dirigido, bem-humorado e eficaz.

Durante a década de 60, os cartazes foram cada vez mais encarados e vendidos como obras de arte destinadas a serem emolduradas e penduradas nas paredes. Nos EUA e na Europa, museus e galerias de arte encomendavam, publicavam e comercializavam cartazes de muitos e grandes artistas, inclusivé Andy Warhol, René Magritte e Roy Lichtenstein. As décadas de 60 e 70 presenciaram o surgimento de uma série de movimentos de fundo político/social que acabaram por influenciar de forma decisiva o grafic design, entre eles o movimento estudantil, o psicodelismo e o punk. Os cartazes desta época eram criados para um público exclusivo, com letreiros praticamente ilegíveis, carregando a mensagem implícita ” se não consegue ler, não é para si”. O psicodelismo começou na costa oeste dos EUA e espalhou-se pela Europa, assim como o movimento hippie.

Por outro lado, os designers japoneses cresciam em importância internacional, tendo em conta que estavam mais dispostos do que os demais a abraçar a nova tecnologia. Na década de 70, a tecnologia ampliou ainda mais a liberdade dos designers, propiciando-lhes maior controlo sobre a composição tipográfica e a reprodução da imagem.

Já nos nossos dias, poucos são os artistas gráficos cujas obras se destacam quantitativa e qualitativamente. Um exemplo é Ikko Tanaka, que possui obras em museus como o MOMA, de Nova Iorque. Os cartazes de Ikko Tanaka são conhecidos pelo uso subtil da cor e embora claramente japoneses, demonstram uma compreensão do pensamento ocidental moderno em relação ao design.

Alguns dos cartazes mais controversos do século passado foram produzidos por Oliviero Tosconi para a Benetton, empresa italiana de confecção juvenil. Sob o slogan “The United Colours of Benetton”, expôs imagens chocantes e violentas, inclusivé Cristo como um moribundo, um carro que se incendeia ou uma mulher a dar à luz, entre tantos outros. O único ponto em comum entre as imagens é o facto de impressionarem, chocarem e deixarem as pessoas a pensar sobre o assunto, devido à polémica que geraram e, apesar de alguns críticos questionarem a sua relevância em relação ao produto, os cartazes causaram impacto e atraíram grande interesse.

Apesar dos enormes investimentos em campanhas publicitárias através da televisão, o comércio e o governo não prescindiram da comunicação directa, dirigida e eficaz do cartaz. O computador continua cada vez mais importante no design de cartazes e os novos programas permitem a manipulação da imagem em vertentes que há bem poucos anos seria impossível de imaginar. O trabalho resultante pode mesclar toda e qualquer combinação de fotografia, ilustração e tipografia em parâmetros consideravelmente ilimitados.

 –  Vosnier Cambeses

                   

UT3 2009/10

“CARTAZ  PARA UMA BAND’S CONCERT”

Enunciado

  • Elaborar uma proposta de ilustração para um cartaz a divulgar um concerto de uma banda
  • Esta ilustração pode ser ou não figurativa
  • É possível a livre utilização de todas as técnicas conhecidas, incluindo recursos informáticos
  • Máxima valorização à coerência gráfica do conjunto e equilíbrio/pesos da composição
  • Apresentação de três propostas diferentes em esboço, com cor
  • Simulação do resultado final, através de uma maquette em A2

Previsão de Tempo: 14 horas

Conteúdos envolvidos:

  • Procedimentos
  • Sintaxe
  • Sentido

1.  Materiais

1.1.  Suportes

  • Papéis e outras matérias, propriedades do papel (espessuras, texturas, cores, resistência, estabilidade, dimensionalidade, permanência), formatos, normalização e modos de conservação; suportes fotossensíveis e termossensíveis

1.2.  Meios actuantes

  • Riscadores (grafite,carvão e afins), aquosos (aparos, aguadas, têmperas, óleos, diluentes, vernizes e afins) e seus formatos ( graus de dureza, espessuras e modos de conservação

1.3.  Infografia

  • Tipos de ficheiro gráfico, graus de compressão, número de cores, codificação da cor, captura de imagem, alteração de dimensão em pontos do monitor

2.  Procedimentos

2.  Técnicas

2.1.1.  Modos de registo

2.1.1.1.  Traço

2.1.1.2.  Mancha

2.1.1.3.  Misto

2.2.  Ensaios

2.2.1.  Processos de análise

2.2.1.1.  Estudo das formas

2.2.2.1.  Processos de síntese

2.2.2.2.  Transformação

3.  Sintaxe

3.1.  Domínios da linguagem plástica

3.1.1.  Forma

3.1.1.1.  Traçados ordenadores

3.1.2.  Cor

3.1.2.1.  Efeitos de cor

3.1.3.  Movimento e tempo

3.1.3.1.  Organização dinâmica

3.1.3.2.  Organização temporal

4.  Sentido

4.1.  Visão sincrónica do registo

4.2.  Visão diacrónica do registo

4.3.  Imagem: Plano de expressão ou significante

4.3.1.  A imagem e a realidade visual: representação realismo e ilusão

4.3.2.  A imagem como objecto plástico

4.4.  Observador: plano do conteúdo ou significado

4.4.1.  Níveis de informação visual

4.4.1.1.  Completude/incompletude: acabado/inacabado, determinado/indeterminado

4.4.1.2.  Totalidade e fragmento

4.4.1.3.  Materialidade e discursividade

4.4.2.  A acção do observador

4.4.2.1.  Interpretação, projecção, sugestão e expectativa

4.4.2.2.  Memória e reconhecimento

4.4.2.3.  Atenção, selecção, habituação

4.4.2.4.  Imaginação

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